domingo, 12 de abril de 2009

PARTO DISTÓCICO

Problemas que acontecem no momento do parto que atrapalhem o desenvolvimento normal do mesmo, são denominados distocias.
A sintomatologia de um parto distócico inclui:
* Contrações fortes e persistentes sem expulsão fetal
* Contrações fracas, infreqüentes e improdutivas por mais de 2 ou 3 horas
* Intervalo maior do que 2 horas entre os fetos ou 4 horas após o início do 2° estágio
* Gestação prolongada, descarga vaginal purulenta e sinais de intoxicação
* Apresentação, posição ou atitude do feto anormal.

AUXÍLIO AO PARTO
* Limpeza da ampola retal
* Anti-sepsia dos posteriores
* Lubrificação abundante com carboximetil celulose
* Anestesia epidural
* Higiene pessoal
* Força de tração moderada
* Uso de lubrificantes (óleo mineral)
* Não usar força e sim jeito
* Os anexos fetais não devem ser presos junto com os membros para evitar rompimento do útero durante a tração.
* A extração deve acompanhar as contrações abdominais
* A distribuição das forças de tração deve ser irregular para obter redução nos diâmetros torácico e pélvico, por inclinação.
Devemos verificar se o feto está vivo, e o que está impedindo o parto.
A correção não é viável quando:
* As contrações forem muito fortes
* Fetos muito grandes

CUIDADOS NO PÓS-PARTO
Palpar para verificar se não há outro feto.
Exame cuidadoso do genital para descartar presença de ferimentos
Lavagem uterina
Utilização de antibióticos e ocitócicos.

DISTOCIAS DE ORIGEM FETAL
1 – Distocias relacionadas a estática fetal (apresentação, posição e atitude)
Dependendo do tipo de alteração apresentada deverá ser adotada medidas adequadas que podem ser: as manobras obstétricas, a cesariana ou a fetotomia.

Pequenos Animais


2 – Distocias independentes da estática fetal:
Anomalias de cordão umbilical
O cordão umbilical pode ser curto ou longo e em qualquer dos casos poderá dificultar o trabalho de parto. Nos cordões muito curtos o feto não consegue sair porquê o cordão age como uma corda que impede a expulsão do feto pelo conduto pélvico. Para se resolver esse problema é necessário realizar uma tração e romper o cordão, o que pode ser feito desde que a cabeça do feto esteja para fora, caso contrário ele não poderá respirar quando desta ruptura.
Cordões longos favorecem o enrolamento do feto podendo causar enforcamentos, anomalias circulatórias e risco de ruptura precoce. Detectando-se o problema na hora do parto tenta-se desenrolar este cordão ou rompê-lo, com os mesmos cuidados citados anteriormente. Cuidado ao romper o cordão para que essa ruptura não se faça muito próxima ao abdome, pelo risco de persistência do úraco.
Resistência das membranas fetais
As membranas fetais rompem-se quando do momento do parto, quando elas se apresentam muito finas e delicadas, o rompimento pode ocorrer logo nas primeiras contrações, essa ruptura precoce pode ressecar o feto e o conduto dificultando o parto. O tratamento preconizado é a lubrificação do canal do parto.
Retrações musculares
É um fator hereditário onde o feto encontra-se contraído (principalmente membros e coluna), dificultando sua saída pelo conduto pélvico. Geralmente é causada por hipotrofia muscular com contração.
É uma situação que pode ocorrer tanto durante a gestação como no momento do parto. O parto é difícil, e qualquer manobra que se tente fazer para correção é difícil. Há grande risco de lesar a fêmea. Geralmente o feto morre e opta-se por realizar uma fetotomia.
Acondroplasia
É um processo ligado ao organismo fetal. Ausência de contrações (parto flácido) e feto com cara de buldogue, membros curtos e alterações orgânicas generalizadas. Recomenda-se afastar da reprodução machos e fêmeas envolvidos.
Hidrocefalia
É o aumento de volume da cabeça devido à presença de líquido dentro dos hemisférios cerebrais.
O tratamento recomendado é:
a fetotomia, com decapitação, cefalotomia, cefalocentese, secção da cabeça, ou cesariana.
Gigantismo fetal:
Casos de fetos absolutamente grandes para a espécie ou relativamente grandes para a fêmea. No momento do parto a passagem é inviável mesmo que a apresentação seja favorável. Geralmente estão ligados a problemas hereditários (retirar o animal da reprodução), problemas endócrinos (Deficiência hormonal) e de manejo. Neste caso recomenda-se a cesariana ou a fetotomia total.
Parto gemelar :
Causa distensão exagerada da parede uterina, pode ser uma das causas de monstruosidades.
Monstruosidades :
São considerados como monstruosidades o aumento exagerado do corpo, atitudes anormais congênitas da forma do corpo fetal.
Podem ser mal-formações relacionadas à cabeça, pescoço, extremidades e corpo fetal.

DISTOCIAS DE ORIGEM MATERNA
1 – Doenças gerais:
Erros alimentares, intoxicações, osteopatias, hipocalcemia, hipomagnesemia.
2 – Doenças orgânicas :
peritonites agudas, reticulopericardites, pericardite traumática aguda, hérnias ou rupturas de parede abdominal, distensão excessiva dos músculos abdominais (inclusive por aumento do volume de envoltórios fetais), ruptura uterina ou intestinal. As doenças orgânicas causam muita dor impedindo que haja a contração da musculatura abdominal.

DISTOCIAS FUNCIONAIS (anomalias das contrações)
As contrações podem se apresentar excessivas ou debilitadas e nos dois casos o parto geralmente não ocorre.

A – INÉRCIA UTERINA OU HIPOTONIA UTERINA
Ocorre a deficiência nas contrações uterinas
Pode ser de causa primária ou secundária.
Causas primárias: obesidade, distúrbio da relação Ca/Mg, sobrecarga excessiva do útero (feto grande ou hidropsia de anexos fetais), toxicose gravídica, hérnias abdominais, reticulopericardite trraumática, afecções hepáticas como a fasciolose, afecções pulmonares e renais, distúrbios hormonais.
Causas secundárias: Macrossomia do feto, torção uterina, estresse da musculatura, ruptura uterina.

DISTOCIAS POR VÍCIOS PÉLVICOS
Estão ligadas à parte óssea da via fetal.
Pelve infantil : alteração hereditária ou adquirida, geralmente durante o processo de desenvolvimento por má nutrição, os relevos ósseos apresentam-se elevados, diminuindo o diâmetro pélvico e conferindo-lhe uma conformação piriforme.
Osteopatias como fraturas de bacia, luxação sacro-ilíaca, calos ósseos exuberantes, raquitismo, tumores ósseos, e mal-formações.
O uso de diagnoósticos por imagem (ultrassonografia e o Raoi-X) fornecem subsídios para fechar o diagnóstico.
O único tratamento possível é a cesariana.

DISTOCIAS LIGADAS À VIA FETAL
Os pontos críticos para o parto são a vulva, o anel himenal, a região da cérvix e a região uterina.
Hipoplasia dos órgãos genitais externos
Comuns em fêmeas jovens, primíparas, que ainda não atingiram o desenvolvimento corporal adequado quando postas em reprodução. Pode ser congênita ou ligada à idade.
Anomalias de órgãos genitais
Geralmente ligadas a fatores hereditários.
Útero unicórneo, persistência do ducto de Muller, cervix dupla, persistência do anel himenal.
Distocias com sede em vagina e vulva
Atrtesia – imperfuração do canal vaginal
Estenose – Diminuição da luz, pode ser causada por retrração cicatricial, hematonas, abscessos, tumores e edemas.
Hiperplasia vaginal – Geralmente de origem hormonal ,
Distocias com sede em cérvix
Rigidez ou oclusão
Endurecimento do colo, geralmente por cervicite crônica ou cicatrização do colo uterino.
Dilatação insuficiente.
Distocias com sede em útero (deslocamentos)
São as mesmas que podem ocorrer durante a gestação: torção uterina, desvio de útero, histerocele inguinal gravídica, ruptura uterina.

TRATAMENTO DE DISTOCIA

1-MANIPULAÇÃO
MANOBRAS OBSTÉTRICAS
RETROPULSÃO – EMPURRAR O FETO ANTERIORMENTE AO CANAL DE NASCIMENTO EM DIREÇÃO AO ÚTERO
EXTENSÃO – EXTENSÃO DE MEMBROS FLEXIONADOS QUANDO OCORREM ATITUDES FLEXIONADAS
TRAÇÃO – AUXILIA E EM ALGUNS CASOS SUBSTITUI A “FORÇA” MATERNA DE EXPULSÃO
ROTAÇÃO – ALTERAÇÃO DA POSIÇÃO FETAL
VERSÃO – ALTERAÇÃO DE APRESENTAÇÃO TRANSVERSA OU VERTICAL PARA LONGITUDINAL;

2- TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
* OCITOCINA - meia vida - 1a 2minutos
Altas doses de ocitocina repetidamente - hiperestimulação
Dose - 5 a 20 UI por cão (I.M.) - com intervalo de 30-40 minutos
Efeitos colaterais:
Separação da placenta
constrição de veias umbilicais,
vasodilatação na fêmea,
hipotensão.
* CÁLCIO -
Associado à ocitocina ou quando os níveis de cálcio ionizado estão baixos
Gluconato de cálcio 10% - dose 0,2ml/Kg I.V. - Lentamente (3 a 5 min) acompanhando com auscultação (Arritmia); 1 a 5 ml SC
* ERGONOVINA - Derivados de Ergot
Não utilizar para distocia
Utilizar para hemorragia pós-parto Dose:10 a 30 mg/kg via oral ou I.M.
* GLICOSE - Utilizar em distocia relacionada a hipoglicemia
Solução de glicose 5% ou 10% I.V.

TRATAMENTO INDICADO
1) Fetos grandes ou 1 ou 2 fetos pequenos - Cesariana
2) Mais de 5 fetos restantes no útero - Cesariana
3) 4 ou menos fetos restantes no útero sem obstrução do canal - ausência da progressão do trabalho de parto de parto após o início do 2° estágio (expulsão fetal) por 4 horas ou 2 horas entre os fetos.
aplicar 0,1 a 2,0 UI/Kg de ocitocina I.M. ( não exceder 20UI)
a) nascimento com menos de 30 minutos - repetir a ocitocina
b) nascimento com mais de 30 minutos - aplicar cálcio (Gluconato de cálcio 10% 0,2ml/Kg I.V., não exceder 5 ml. Repetir ocitocina após 30 min.
4) Saída parcial do feto - manobra obstétrica ou cesariana
5) Presença de descarga vulvar - o parto deve ocorrer em 1 a 2 horas, caso não ocorra - intervir
6) 24 hs de trabalho de parto - morte fetal - cesariana
7) Corrimento sanguinolento - traumatismo, torção uterina ou rompimento uterino
8) Viabilidade fetal (U.S.) -
130 bpm - pouca viabilidade - intervir em 1 a 2 horas
100 bpm - intervir imediatamente.

INDUÇÃO DE PARTO
Recomendado a partir de 51 dias de gestação (cães)
* GLICOCORTICÓIDES - Dexametasona - 0,2 mg/Kg Via oral (3x dia/ 5 dias) diminuir a dose gradativamente 0,16 mg/Kg até 0,02 mg/Kg(5 dias)
Efeitos colaterais: Causa polidipsia e poliúria
* PROSTAGLANDINA - nascimento ocorre 3 a 5 dias após
Dosagem: 20µg/Kg SC ou IM cada 8h ; 30 µg/Kg cada 12h por 72 h;
250 µg/Kg cada 8 h por 4 dias.
Para bovinos - Associação glicocorticóides (dose única = a ação anti-inflamatória) e prostaglandina ( 1 frasco) - nascimento após 3 dias.

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